Christine Zonzon

I was born and raised in France, but I moved to Brazil at the age of 22, and since then have lived in the state of Bahia—in the capital city of Salvador as well as various other cities. This experience of displacement and cultural immersion have certainly inspired and nurtured my academic and professional career, notably my choice to enter into the social sciences, and more specifically, to begin anthropological research.  

I completed my Master’s degree in 2007 and my PhD in 2014 at the Universidade Federal da Bahia (UFBA) in the Department of Social Sciences. My research focused on corporal experiences in the context of the cultural practice of Capoeira – a fight/game/dance inherited from the Afro-Brazilian matrix – which I fell in love with and which I still practice to this day. During my academic journey, I became interested in and was largely inspired by the phenomenological perspectives in anthropology, specifically in respect to anthropology of the body and the senses, which led me to engage in immersive fieldwork and participative ethnographies. In fact, this fieldwork experience in communities of Capoeira highlighted the body and ‘corporal practices’ as sites where the social, collective and personal dimensions of the subjects are articulated. The body as a theme involves epistemological, existential, and political dimensions that I sought to better understand during my postdoctoral research, which I began in 2015.  

I taught courses focused on socio-anthropology of the body, as well as ethnographic writing, for the post-graduate program in Social Sciences at UFBA. During this time, I also developed an ethnographic investigation focusing on gender relations in capoeira. The research eventually turned into engagement, interventions, and a study group in which researchers and those being researched participated. We developed research techniques using focus groups and the production of audiovisual materials, creating new representations of a group (women) particularly undervalued in this universe, essentially … in some way transforming the subject which we were studying, and experimenting with new modalities of participatory research.  

The ECLIPSE project enables new experiences and insights within the field of anthropology of the body. The methodological proposal echoes the ethnographic methods that I have refined over these 20 years of fieldwork, while the focus of the investigation now shifts from the body that can (skills/abilities, my current theme) to the body that suffers and is stigmatized. The challenge remains to combine knowledge with social transformation and to build bridges between scientific knowledge from different areas and knowledge of popular culture. 

Nasci e me criei na França, mas me mudei para o Brasil aos 22 anos de idade e tenho vivido na Bahia, em Salvador e em alguns interiores do estado desde então. Essa experiência de deslocamento e aprendizagem cultural certamente inspirou e alimentou minha trajetória acadêmica e profissional, notadamente a minha escolha pelo campo das Ciências Sociais, e mais especialmente pela pesquisa antropológica.  Cursei o Mestrado (2007) e o Doutorado (2014) em Ciências Sociais na UFBA com pesquisas sobre Experiência corporal no contexto das práticas culturais da Capoeira, uma luta/jogo/dança herdada da matriz afro-brasileira, pela qual me apaixonei, tornando-me praticante Nesse percurso acadêmico, me interessei e me inspirei principalmente das perspectivas fenomenológicas em antropologia e das correntes da antropologia do corpo e dos sentidos ao passo que me engajava em etnografias participativas de imersão em campo. De fato, essa experiência de trabalho de campo nas comunidades da capoeira pôs em evidência o corpo e as “técnicas corporais” como locos em que se articulam as dimensões sociais, coletivas e pessoais dos sujeitos. A temática do corpo envolve dimensões epistemológicas, existenciais e políticas que busquei aprofundar no estágio pós-doutoral, iniciado em 2015. Tenho ministrado as disciplinas Socio-antropologia do corpo e escrita etnográfica no curso de Pós Graduação em Ciências Sociais da UFBA, ao passo que, desenvolvia  uma investigação etnográfica com foco nas relações de gênero na capoeira. A pesquisa se desdobrou em ações, intervenções, grupo de estudo dos quais participam pesquisadores/as e pesquisadas. Desenvolvemos técnicas de pesquisa lançando mão de grupos focais e da produção de materiais audiovisuais, criando novas representações de um grupo (as mulheres) particularmente desvalorizado nesse universo, enfim…de alguma forma transformando aquilo que se estuda, e experimentando novas modalidades de pesquisa participativa. 

O projeto ECLIPSE oportuniza novas aprendizagens e experiências na área da antropologia do corpo.  A proposta metodológica ecoa os métodos etnográficos que tenho aprimorado ao longo desses 20 anos de trabalho de campo, enquanto o foco da investigação passa agora do corpo que pode (habilidades, minha temática atual) ao corpo que sofre e é estigmatizado.  Permanece o desafio de aliar conhecimento à transformação social e de construir pontes entre saberes científicos de diferentes áreas e saberes da cultura popular.