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ECLIPSE - Empoderando Pessoas com Leishmaniose Cutânea: Pesquisa e Programa de Intervenção para Melhorar os Itinerários do Paciente e Reduzir o Estigma por Meio da Educação Comunitária (Brasil)

O Projeto ECLIPSE é um projeto participativo de pesquisa e intervenção que objetiva melhorar as condições de saúde das pessoas com Leishmaniose Cutânea e empoderar comunidades afetadas por este agravo.

O projeto tem duração de quatro anos e durante esse período diversas estratégias serão utilizadas para fomentar trocas de conhecimento e experiências, que permitirá compreender como vivem as pessoas com a doença em diferentes contextos culturais, sociais e políticos. 

No Brasil, o projeto é conduzido por uma equipe multidisciplinar, sob a coordenação do professor doutor Paulo Machado, coordenador do Serviço de Imunologia do HUPES-UFBA e professor da Escola de Medicina da Universidade Federal da Bahia e da professora doutora Leny Alves Bomfim Trad, professora titular do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA e coordenadora do Programa Integrado de Pesquisa e Cooperação Técnica Comunidade, Família e Saúde – FASA.  

A equipe também reúne pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, em intensa colaboração e produção coletiva. Integra também uma equipe artística, com vasta experiência em diferentes linguagens artísticas.

Em relação à pesquisa, o projeto visa ampliar o olhar sobre a LC, investindo em um modelo biopsicossocial para compreender as experiências das pessoas e os desafios que enfrentam diante da enfermidade.

Dessa maneira, serão explorados os fatores sociais culturais e econômicos de cada contexto estudado e como eles influenciam a ocorrência da doença. A produção desse conhecimento deve se reverter em políticas públicas voltadas para o cuidado integral às pessoas com LC.

Já no que diz respeito à intervenção, o projeto almeja construir ferramentas para promover o diagnóstico e o tratamento precoces, superar os estigmas sociais relacionados a LC e melhorar o atendimento com ações de capacitação e formação das equipes de saúde.

Como estratégia de engajamento, os Workshops Criativos Comunitários servirão para fortalecer e valorizar os costumes, tradições e práticas locais através das artes, assim como para construir relações de confiança com a comunidade.

Com tudo isso, espera-se produzir um saber inovador e comprometido socialmente, construído coletivamente e em total interação com a população. A indivisibilidade entre a pesquisa, o ensino e a intervenção é uma aposta deste projeto para articular experiências, saberes e práticas dentro e fora da universidade.

 ASPECTOS SOCIOCULTURAIS DA BAHIA

Primeira região a ser desbravada pelos portugueses em 1500, a Bahia passou a ser povoada ainda na primeira metade do século XVI, onde havia uma forte exploração do pau-brasil que atraiam comerciantes portugueses e contrabandistas europeus.

A Bahia sempre deteve grande importância para o Brasil, sendo palco das principais decisões do futuro do território na era colonial. Desde o descobrimento foi alvo de invasões, revoltas e conflitos, além de ter sediado a primeira capital do país (Salvador).

A Bahia é um dos maiores estados brasileiros, sendo também o que possui o maior número de divisas com outros estados. Tem uma área territorial de 564.733 km², onde habitam pouco mais de 15 milhões de habitantes. Em termos populacionais, o estado é considerado o maior do nordeste e o quarto maior do Brasil.

O relevo estadual é marcado por planície litorânea, depressão ao norte e a oeste, planície no centro, além de chapadas (Chapada Diamantina) e chapadões. Já o clima predominante é o tropical, com temperaturas elevadas durante grande parte do ano. Na Serra do Espinhaço, porém, as temperaturas são mais brandas e na região do sertão apresenta predominantemente o clima semiárido.

A vegetação é composta por floresta tropical, mangues litorâneos, caatinga e cerrado. A rede hidrográfica é formada por vários rios, com destaque para o São Francisco, que é de grande importância para a população local. Além disso, vale ressaltar que o estado possui o maior litoral do país, com aproximadamente 900 quilômetros.

A economia da Bahia é bem diversificada, se baseando na agropecuária, na indústria e no turismo principalmente. Os principais produtos agropecuários são a soja, a cana-de-açúcar, o cacau e a carne de gado bovino.

Cacau. Foto: Bahia de Valor (Sidney Oliveira)

No meio industrial, os seguimentos principais são os ramos produtivos químicos, petroquímicos e agroindustriais, com destaque para o Polo Petroquímico de Camaçari, localizado na região metropolitana de Salvador.

Região portuária de Salvador. Fonte: Bahia Turismo

No turismo, tem-se uma diversidade de belezas naturais, destacando-se as belas praias por todo o litoral, chapadas e centros históricos, como a capital baiana e cidades como Ilhéus e Porto Seguro. Com grande destaque internacional, a Bahia atrai milhares de visitantes pelas suas paisagens, diversidade cultural e oferta de festejos tradicionais, como o Carnaval, por exemplo.

Carnaval de Salvador. Fonte: Jornal Correio da Bahia

A cultura baiana é uma das mais marcantes e plurais do território brasileiro. O povo baiano é conhecido pela sua alegria, receptividade, musicalidade e diversidade cultural. Nela, há uma inter-relação entre os modos de vida europeus, africanos e indígenas, constituindo um verdadeiro mosaico étnico e cultural.

Assim como na culinária, uma das principais peculiaridades do povo baiano é, sem dúvidas, o seu linguajar típico, conhecido popularmente como “baianês”. Com sotaques diferenciados, expressões nunca vistas em outros lugares e comemorações que envolvem o profano e o sagrado, o baiano mostra em toda a sua vivencia a força da sua identidade.

Festas como de Nosso Senhor do Bonfim e de Iemanjá são características da cultura baiana, perpassando por sincretismos e confluências entre as religiões católica e candomblecista.

No estado reside o maior número de negros e mulatos do país e por isso é considerado como um dos principais centros difusores da cultura negra no Brasil, sendo a terra natal de importantes patrimônios da cultura brasileira. O acarajé, a capoeira, o samba de roda e as religiões de matriz africana são alguns exemplos da riqueza cultural presente na Bahia.  

Baiana na festa de Nosso Senhor do Bonfim. Fonte: Guia do Estudante
Percussionistas do Olodum no Pelourinho. Fonte: Bahia sem Fronteiras.

Nessa imensa vastidão cultural a identidade da Bahia se destaca, onde estão localizados um rico acervo de obras religiosas, arquitetônicas, culinárias e festivas, como o carnaval de Salvador, a festa da Independência da Bahia, as festas juninas no interior, em especial a guerra de espadas em Cruz das Almas e em Senhor do Bonfim, a lavagem do Bonfim, a Festa de Santa Bárbara, a Festa de São Sebastião, a festa de Iemanjá, e muitas outras. 

Baiana com oferenda na Festa de Santa Bárbara. Fonte: Itapagipe Online.